"Infelizmente a mídia, que está presente em nossas vidas todos os dias de forma decisiva muitas vezes guiando nossas condutas, faz uma imagem do homossexual caricaturizada nas telenovelas, criando estereótipos com trejeitos femininos. Sem perceber, nos vemos rindo, fazendo chacotas, imitando com o objetivo do sarcasmo e da disseminação do preconceito, porque por detrás do nosso riso complacente está a sedimentação dele de maneira sutil. Essa é “grande” contribuição que alguns programas de humor estão dando à causa da diversidade: o diferente é visto como motivo de riso, como se todos os homossexuais se comportassem da mesma maneira como eles veiculam. E mais: as personagens criadas por eles são indivíduos que não tem vida ativa nem sentimento, são mostrados como se fossem “bonecas de enfeite”, que não falam, não trabalham, não lutam, não amam.
A sociedade brasileira vive profundas transformações que não podem ser ignoradas por nenhuma instituição democrática. Cresce no país a percepção da importância da educação como instrumento necessário para enfrentar situações de preconceitos e discriminação e garantir oportunidades efetivas de participação de todos nos diferentes espaços sociais. A escola brasileira vem sendo chamada a contribuir de maneira mais eficaz no enfrentamento do que impede ou dificulta a participação social e política e que, ao mesmo tempo, contribui para a reprodução de lógicas perversas de opressão e incremento das desigualdades.
Não por acaso, em nossas escolas, temos assistido ao crescente interesse em favor de ações mais abrangentes no enfrentamento da violência, do preconceito e de discriminação contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Cada vez mais a homofobia é percebida como um grave problema social, e a escola é considerada um espaço decisivo para contribuir na construção de uma consciência crítica e no desenvolvimento de práticas
pautadas pelo respeito à diversidade e aos direitos humanos.
pautadas pelo respeito à diversidade e aos direitos humanos.
Com relação à educação nas escolas brasileiras, tem-se percebido um avanço, tímido, mas já é um começo. Sabe-se que há uma população de crianças e adolescentes homossexuais nas escolas que são praticamente invisíveis aos olhos dos professores heteros. Ou seja, a escola age como se todos os alunos fossem heterossexuais, como se não existissem diferenças sociais, culturais, econômicas, étnicas e, principalmente, de conduta (prefere-se este termo na atualidade ao invés de opção, já que ninguém escolhe ser homossexual) sexual.
O que acontece é que sem respeito e sem auto-estima, o estudante homossexual pode acabar deixando a escola, engrossando as estatísticas de evasão escolar. Reside aí a importância de se promoverem ações que forneçam a profissionais da educação diretrizes, orientações pedagógicas e instrumentos para consolidarmos uma cultura de respeito à diversidade de orientação sexual e de identidade de gênero. Porém, Lula Ramires, presidente do Grupo Corsa, teve uma idéia tão simples quanto brilhante: ensinar os professores a lidar com as diferenças dentro da sala de aula. Surgiu assim o Projeto “Educando para a diversidade: os GLBTs na escola”, financiado pelo Ministério da Saúde e aplicado na cidade de São Paulo no ano 2002, dos 20 mil professores da rede municipal, foram 3 mil profissionais treinados para não reforçarem idéias que levem à disseminação e sedimentação do preconceito e até interferir quando observarem estudantes tratando a questão da sexualidade com preconceito.
Os professores receberam bem o debate, cientes de que quando deixam de agir, estão permitindo acontecer uma discriminação que o estudante levará para a rua, para casa e para a vida afora, provavelmente abandonando a escola. Ficou faltando treinar os 17 mil professores da rede municipal e, quem sabe, os 150 mil da rede estadual. E até professores do resto do Brasil. Dessa forma, a educação começa a dar sinais de avanço. Sabemos que só através dela essa situação de exclusão e preconceito pode acabar. É preciso que a escola forme um indivíduo que esteja aberto à convivência com pessoas diferentes, um indivíduo mais sensível e tolerante a que todos assumam direito de cidadania.
O conhecimento é a melhor arma contra o preconceito, pois este é filho da ignorância. Só com o conhecimento se é forte o suficiente para lutar contra os mitos, tabus e preconceitos instituídos pela sociedade homofóbica. A informação é a melhor aliada, juntamente com estudo e a pesquisa. Só assim os excluídos não serão subjugados."

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